PUERICULTURA  PEDIATRIA  DOCSYSTEMS       DR. CELSO EDUARDO OLIVIER

 

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COMPATIBILIDADE SANGÜÍNEA

    As hemácias humanas são caracterizadas imunologicamente por vários tipos de proteínas de superfície. No que concerne à prevenção e tratamento de patologias fetais, apenas as proteínas de dois grupos são importantes: as do sistema Rh e as do sistema ABO.

    Sistema Rh Simplificadamente, o sistema Rh é caracterizado pela presença ou não de uma proteína (antígeno D), na superfície da célula. Se a hemácia possui esse antígeno, dizemos que a pessoa é Rh+ (Rh positivo). Se não possui, chamamos de Rh- (Rh negativo). O fator Rh é transmitido geneticamente, sendo a sua presença característica dominante e a sua ausência, recessiva. As pessoas Rh- podem produzir anticorpos contra as hemácias Rh+, dependendo de prévia sensibilização. Quando a mãe é Rh- e o pai é Rh+, existe um risco que pode ser de cinqüenta ou cem por cento, dependendo dos genes paternos, de o casal gerar um filho Rh+. Nesse caso, o sistema imunológico materno pode produzir anticorpos contra as hemácias fetais, que, transmitidos através da placenta, podem causar a grave patologia denominada doença hemolítica por incompatibilidade Rh.

    A doença hemolítica caracteriza-se pela destruição das hemácias fetais e do recém-nascido. Resulta em anemia grave, produção de altas taxas de bilirrubina (substância resultante do metabolismo da hemoglobina, altamente tóxica para o sistema nervoso do feto e do recém-nascido), insuficiência cardíaca e morte.

    Para que uma mulher Rh- produza anticorpos contra o seu filho Rh+, é necessária, como disse acima, sensibilização prévia, que se faz através de gravidez anterior com feto Rh+, tenha a gravidez sido efetiva ou resultado em aborto.

    Quando a gravidez ou o aborto são adequadamente acompanhados por obstetra, uma das preocupações do profissional será a de administrar, logo após o parto, uma "vacina" (que, na verdade, é uma dose de anticorpos específicos - a gamaglobulina anti-Rh), que interage com as hemácias fetais, impedindo a sensibilização do sistema imunológico materno. Desse modo, previne-se a doença hemolítica na próxima gestação.

    Podemos detectar a sensibilização através de teste simples e barato, que faz parte da rotina de qualquer laboratório de análises, chamado de teste de Coombs indireto. Quando o teste resulta positivo, a paciente está sensibilizada irremediavelmente e o uso da gamaglobulina anti-Rh não está mais indicado.

    Devido à facilidade de prevenção, a doença hemolítica por incompatibilidade Rh é bastante rara, mas ainda existe, fruto da irresponsabilidade das clínicas de aborto clandestinas e dos partos domiciliares assistidos por "parteiras", sem a devida assistência médico-hospitalar.

    Deste modo, se você, mulher, passou por uma situação dessas, procure saber o seu tipo sangüíneo e, se for Rh-, faça um teste de Coombs indireto. Se o teste de Coombs for positivo, isto indica sensibilização ao fator Rh+. Nesse caso, ter filho de parceiro Rh+ é arriscado. Por outro lado, se o pai da criança for Rh-, não existe perigo nenhum. Converse com seu médico para que, em conjunto, vocês possam fazer uma análise global da situação e decidir o que é mais cabível para o seu caso.

    Sistema ABO

    O sistema ABO também pode provocar doença hemolítica, geralmente de intensidade e gravidade inferiores ao causado pelo sistema Rh, sendo geralmente controlado satisfatoriamente na vida pós-natal. Como para o sistema ABO não existe profilaxia específica, não existe necessidade de preocupação com este aspecto, nesta fase pré-concepcional.

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